Artimanhas do acaso.

Heróis por acaso.
Heróis do Vale das Sombras.

Registro de Batalha de Arthur. 

“Após sairmos do moinho, nos deparamos com um grupo médio de adoradores do culto do dragão, liderado por um garra dracônica. Eles tentavam derrubar um dos portões que protegia a entrada do templo de Mystra, que estava cheio de pessoas feridas e curandeiros.

Percebemos que faltava muito pouco para os portões caírem, e os cultistas invadirem templo, quando momento nós bolamos a seguinte estratégia: Rod criaria umas ilusões sobre mim, colocando chifres nos meus ombros e na minha cabeça, para que eu parecesse um demônio. Amóm, por sua vez, aumentaria minha voz, na tentativa de afugentar os invasores. Campesino e Haká se posicionaram nos telhados de duas casas próxima, uma em minha esquerda e outra na minha direita, na tentativa de me dar cobertura caso o plano desse errado. Na tentativa aumentar o poder da ilusão, encontrei um corpo sem cabeça dentro do moinho, e o arrastei parando cerca de 20 metros de distância dos invasores.

Com a voz aumentada por magia, tentei intimida-los como havíamos planejado: “Vão embora agora, ou vocês vão sofrer as consequências!”.

Todos se viraram e na hora que me viram, metade deles correu com medo, e a outra metade ficou parada sem reação. O líder dos invasores apontou para mim e disse para seus seguidores me matarem. Nesse momento, um dardo arremessado por Haká atingiu o braço direito do Garra Dracônica que de imediato solta um grito de dor e assiste dois de seus aliados correrem de medo. Repeti a frase e mesmo assim ele não se assustou. Haká atinge outro dardo no Garra Draconica acertando seu antebraço direito, então nesse momento seus subordinados correram em minha direção para atacar.

Mal posso esperar para ver o sangue de meu inimigos escorrer pelo meu martelo!

Rod tenta atrasar o Garra Draconica lançando uma magia, e uma água esverdeada aparece nos pés dele, mas ele percebe e da um passo para traz. Dois de seus subordinados correm em minha direção, um deles sacou sua arma e me feriu um golpe. Esmaguei a cabeça dele com meu martelo, arremessando-o para longe de mim.

O segundo vem em minha direção, quando desvio de seu golpe, mas sou atingido por algo até então imperceptível. Meu inimigo agora tinha cerca de 50 centímetros de altura. Os outros da mesma espécie desse ser pequeno, usam suas fundas e jogam um grande número pedras em direção à Amom e Rod. Rod ao perceber, consegue se abaixar no telhado, mas Amóm não tem a mesma sorte. Sendo acertado por diversas pedras, ele se lesiona de forma grave.

O combate continua, enquanto Haká e Amóm continuam a atacar o Garra Draconica que tenta fugir. Enquanto eu estava tentando acertar o seguidos do culto, ouço o corpo de Amóm cair do telhado do meu lado esquerdo. Não pude deixar de lembrar como era o som dos sacos de esterco da fazenda que trabalhei quando ouvi o barulho da queda. Continuei com a luta. Mas para minha surpresa, Haká também atinge o chão, agora do meu lado direito. Dessa vez me lembrei das frutas velhas e podres que caem das arvores no norte quando chega o outono. Não pude deixar o combate, estava cercado.

Haká atinge o Garra fugitivo com três dardos, que acaba morrendo. Acerto o acolito com meu martelo jogando ele para longe de mim. A pequena criatura corre em minha direção com sua arma em mãos, mas acaba caindo no corpo de Amóm. Haká o atinge com seu bastão, e Rod desce do telhado da casa.

Seus olhos não acreditavam no que estavam vendo. Amóm estava morrendo.

Haká tenta salvá-lo, mas ele percebe que o bardo está quebrado. Rod assiste a ultima respeiração de Amóm, que nesse momento lhe entrega uma cara e um anel.

A guerra volta aos meus olhos. Me ajoelho e me recordo dos meus aliados do exército do Vale da Adaga.

O combate acaba. Os cidadãos do interior do templo estão à salvo e acabam vindo em nossa direção. Pegam o corpo de Amóm e levam para dentro do templo no qual estavam. Observamos os corpos no chão de pessoas sem alguns membros, outras enfaixadas. Confesso que visões do meu passado voltaram a me atormentar novamente.

Teobald nos promete que Amóm terá um enterro digno de um herói, e encaminha o corpo dele até a Torre de Ashaba.

Uma profeta do templo de Mystra adentra o grande salão da torre de Ashaba. Pele clara, cabelos ruivos, sobe no púlpito principal que aparentemente é a única coisa que não está totalmente quebrada, e pronuncia palavras estranhas, porem, sua voz doce conforta a todos presentes. Ao final, ela se retira sob os olhares incrédulos mas ainda assim com alguma esperança de que dias bons poderão vir. Observamos o corpo de Amóm levado em direção a um templo onde são enterrados homens de valor junto ao Vale das Sombras. As honrarias à sua morte são consideradas como de um militar condecorado em batalha. Ao chegar, eles colocaram o caixão sobre hastes de metal no chão e fizeram silêncio em respeito e reverência.

Um ancião com barba e vestes brancas surge, se apresentando como Rao Pretorius. Quase que no mesmo instante, um homem forte e alto entra na sala tomado uma grande fúria, tendo eu ser segurando por cerca de 10 homens. Em sua cabeça eu vi uma coroa. O Rei do Vale das Sombras havia chegado e estava descontrolado. Rao, enquanto conselheiro do Rei o encara e ele aparentemente se acalma, o sangue que corre em pulsa em suas veias saltadas diminui o ritmo, e exausto o rei desmaia.

Assistindo essa cena, pude observar melhor o local em que eu estava. Um salão grande, com varias cadeiras e mesas. Um local digno da realeza de fato, preparado para um grande festa. Neste momento, via tudo destruído, tudo quebrado exceto o pulpito. Mas uma coisa que achei muito estranha, era o fato de ter uma forca nesse local. Algo que não havia sentido em qualquer outro lugar.

Rao se aproxima de nós e pede desculpa pelo ocorrido. Ele explica que a família do rei foi toda morta por três pessoas que estavam aprisionadas aqui. Nos solicita que eles sejam perseguidos e que sejam trazidos vivos. Solicita também que seja trazido um homem que se infiltrou no Culto do Dragão, e que caso seja necessário, que ele seja morto pois é considerado um traidor. Oferece um quantia boa em dinheiro, mas eu pego o suficiente para os custos da viagem.

Após ele se retirar, eu e Rod conversamos. Digo para irmos procurar o Culto do Dragão que passou por aqui. Eles querem matar inocentes. Rod concorda comigo. No dia seguinte partimos a procura do exercito do Culto do Dragão.

Campesino, Haká, Rod e eu partimos em viagem atrás do Culto do Dragão, que devido a sua grande quantidade de carruagens e outras monstruosidades, não deve estar muito a frente, e nem deve ser difícil de encontrar seu rastro.

Já perto do anoitecer, percebo uma clareira mais ao fundo da estrada, enquanto seguíamos o rastro do culto. Campesino vai mais à frente e nos conta que na fogueira estão três humanos, e seis daquelas criaturas pequenas. Ele nota que ambas raças não tem qualquer empatia entre si.

Os instruí à esperarmos anoitecer para que tivéssemos a surpresa ao nosso lado. Um humano ficou de guarda e os outros dois dormiram, as criaturas fizeram a mesma coisa, porém, do outro lado da fogueira. A estratégia era chamar a atenção do humano e da criatura para neutraliza-los e mudarmos a comida de posição para que eles brigassem entre eles. Nunca fui muito silencioso, infelizmente.

Por um descuido meu, acertei meu martelo em uma arvore que fez um barulho chamando a atenção do humano acordado, quando veio em minha direção. Rapidamente consegui me esconder, para minha sorte, talvez, tão bem que o próprio Rod não conseguia mais me enxergar. Por instinto, achando que estava sozinho, Rod lança uma magia e um som de um lobo soa ao meu lado, mas o humano de roupas roxas percebe. Ele corre para acordar os outros dois aliados que dormiam.

Mais que depressa, arremesso uma de minhas machadinhas que fica atinge as suas costas, quando seu aliado acorda e vê seu amigo caído no chão, quase morto. Este acordo o terceiro, ao lado dele, quando Haká atinge um de seus dardos na cabeça da criatura, que cai desfalecida. Saio da mata em uma corrida furiosa para cima dos dois humanos remanescentes, enquanto Campesino e Haká dão conta das criaturas enquanto elas dormiam, ou tentavam acordar no caso.

O combate se acaba, fomos vitoriosos. Nossa astúcia nos auxiliou. Revistamos os corpos, levantamos pouco dinheiro, mas havia um mapa que acreditamos ser o local para onde o exército do Culto do Dragão está à caminho.

Não sei o que acaso do destino nos reserva, mas meu martelo estava com saudade de carne fresca.”

Arthur.

 

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O acaso que une.
O Vale das Sombras é atacado!

Após o tempo das perturbações, o Vale das Sombras voltou a ser um reino próspero a partir do comércio de lavoura dentre outros materiais ali cultivados. Os tempos são estranhamente calmos, para aqueles que como Arthur, já acompanharam momentos de grandes tribulações não somente na região dos vales, mas como também em toda Faerun. 

Arhur, um bárbaro das terras do norte que foi privado da convivência com sua família por motivos que ele prefere não contar para ninguém, após participar das guerras no vale da Adaga e no Vale de Tesh contra os Zhentarins, encontrou refúgio de bonança no vale das Sombras praticando a velha arte da ferraria em benefício de viajantes ou dos próprios soldados da região. 

Campesino, um jovem que se afastou de casa para busca de seu próprio destino, teve que trabalhar na lavoura do Vale das Sombras para sobreviver. Seu relacionamento com os senhores da fazenda onde ele trabalha é muito bom, mas em tempos difíceis, ele precisou de ajuda dos outros trabalhadores das fazendas. Gereth era o nome de um deles. Ele trabalhava em uma fazenda próxima a dele Senhora Quelline Aderleaf, uma pequena Halfling. 

Após o período de trabalho, Campesino foi até a Taverna do Velho Crânio, a mais famosa taverna da cidade, talvez porque seja a única. Lá chegando, encontra Arthur, que o recepciona com um caloroso urro de saudação. Sentados e bebendo, notam que o assunto central de todos é a ocorrência do Conselho dos Vales que nesse ano acontecerá no Vale das Sombras, amanhã. 

Raká, recém-chegado de suas andanças, nota uma conversa estranha de dois soldados da Torre de Ashaba, residência do rei do Vale das Sombras, Mourngrym Vanseck. O assunto chama a sua atenção quando eles mencionam três prisioneiros retirados de um antigo castelo destruído, e um elfo com a pele azulada. Nunca havia ouvido falar de um elfo com uma pele dessa coloração fora das águas. 

Mantendo a estranheza do momento, em um dado momento da noite a porta se abre e Hamon, que aos olhos dos moradores do Vale das Sombras não passa de uma criatura humanoide com chifres, entra na taverna com seu grande sorriso aberto, disposto a entreter todos os presentes em troca ou de bebida gratuita, ou de peças de ouro. Muito se escondo atrás desse sorriso, mas não há maldade no seu coração, talvez diferente do que se pode falar do seu sangue. 

Junto com ele, seu amigo de viagem Roderick, um Gnomo controlador de magia arcana, que busca conhecimento com o único e exclusivo objetivo: ajudar os necessitados. Sua missão nobre é proveniente de um passado difícil, que o impulsionou ao heroísmo altruísta. Em algumas oportunidades é até difícil evitar arriscar a sua própria vida em benefício dos mais necessitados. Não por poucas vezes ele já se viu em algumas enrascadas por força dessa missão que ele instituiu a si mesmo. 

Após o passar da meia noite, todos já beneficiados pela rasa embriagues proporcionada pela cerveja, resolvem dormir. Raká sai sozinho, e procura uma arvore grande o suficiente para servir de quarto essa noite. Não que precise ser do tamanho de um quarto, mas havendo o necessário para que ele possa repousar é o suficiente. Hámon e Roderick resolvem dormir nos quartos disponíveis na taverna do Velho Crânio, não sem antes Hámon ter um breve entrevero com a taverneira. 

Arthur sai com seu colega Campesino. O ferreiro fica pelo caminho, na sua residência acima da forja, enquanto o rapaz segue caminhando até a sua casa na fazenda onde trabalha. 

Assim que chega, percebe que as luzes ainda estão acesas, o que é estranho dada a hora da noite. Aproxima-se da porta e nota que uma das filhas do dono da fazenda está na cama, com febre alta e se debatendo. Está sendo cuidada por sua mãe, quando seu pai o encontra na porta e o chama para entrar. Nesse momento, a garotinha levanta rapidamente da cama e com os olhos sangrando, grita coisas aparentemente sem nexo como: "O equilíbrio foi desfeito!", "As portas do inferno foram abertas!". 

Assustado, Campesino indaga o seu chefe sobre o que poderia estar acontecendo, mas nem ele consegue explicar, dizendo somente que ela aparentemente estaria estranha já a alguns dias. 

Passa-se a noite. O dia do conselho dos vales chega. 

A cidade está em festa e todos os aventureiros e moradores dos vales estão na rua principal aguardando o desfile das carruagens que levam os líderes dos vales convocados para o grande encontro no salão principal da Torre de Ashaba. Sem contratempos, o desfile ocorre, porém, aos olhos de Arthur, o número de soldados é grande demais para uma festividade pacífica como essa. Algo pode não estar tão pacífico assim. 

Encontrando Campesino, eles acompanham o desfile. Mais no final da rua, Raká, Roderick e Hámon também acompanham o desfile quando este acaba com as portas da fortaleza da torre sendo fechada, e os aldeões que ficaram do lado de foram começam os festejos para agradecer aos Deuses as colheitas do ano que se passou. 

Raká, sente um vento fora do normal vindo do leste, mexendo toda a relva próxima da cidade, quando logo após Roderick também percebe essa alteração. Mais próximos da entrada leste da cidade, Arthur e Campesino notam outra peculiaridade: gritos e muitas pessoas correndo da sua direção. Rapidamente, todos conseguem notar pequenos seres de coloração vermelha, como se fossem feitos de lava incandescente atingiam as pessoas correndo e as queimavam até a morte. 

No alto de suas cabeças, uma formação óssea que parecia um dragão sobrevoava o vale, como se estivesse pronto para pousar a qualquer momento. 

Instados a tomar alguma providência para salvar as pessoas que estavam presas ou que ainda conseguiam correr, todos eles entraram em combate com essas criaturas, mas não sem conhecerem o real significado do termo "queimadura" quando foram atingidos pelas criaturas. Mesmo havendo levado prejuízo no combate, permaneceram de pé, mas notaram que reforços das criaturas estavam à caminho quando outras criaturas esqueléticas de mais de dois metros e chifres estavam se movendo na direção deles. 

Resolveram tentar salvar os que ainda podiam ser salves e se abrigar. 

A perseguição não durou muito. A intenção das criaturas era aparentemente invadir o castelo, e quando os portões foram arrombados, tiveram êxito na investida. O som de morte e guerra tomou o ar enquanto os aventureiros tentavam se proteger no templo de Mystra que ficava mais à frente. 

Olhando para trás, para ver se não estavam sendo seguidos, eles notam que aquela formação óssea de fato era um dragão, e estava tentando destruir a lateral da torre do rei. 

Dentro do Templo, todos tentam descansar entre aqueles que aparentemente estavam quase mortos, e aqueles que trabalhavam para sustentar os que ainda poderiam viver. O cheiro de carne queimada era notório e impressionante. Em contado com Nighthill, conhecido de Arthur, os aventureiros tomam conhecimento que muitos dos familiares que estavam ali não haviam sido localizados e que essa busca poderia ser feita por um antigo túnel que passava por baixo da rua central da cidade, levando-os até o outro lado. 

Todos concordando com a tentativa de salvar mais vidas, os improváveis heróis dividem uma pequena quantidade de peças de ouro de Nighthill e partem para o túnel. Após passarem pelo túnel, sendo atacados por ratos gigantes, eles percebem uma abertura. Campesino consegue abri-la sem fazer barulho e por sorte, ou talvez por intervenção do destino, eles avistam um pequeno grupo de reféns sendo escoltados por alguns humanos do Clã do Dragão. 

Conjecturando rapidamente um plano arriscado, Campesino consegue sair sem ser visto, mas seu primeiro atauqe chama a atenção do guerreiro líder do clã do dragão que está supervisionando os reféns, e ele rapidamente ameaça um destes que está sentado à sua frente. Arthur não tem opção, senão chamar a atenção dele para que ele não mate o refém.  E mesmo contra todas as expectativas, ele consegue, e rapidamente engaja em combate corporal com ele, enquanto os outros, agora na tentativa de receber a alcunha de heróis, tentam eliminar os cultistas e salvar os reféns. 

O combate corporal de Arthur com o Guerreiro do culto do dragão é ferrenho e mortal, quando após ter a sua barriga perfurada, Arthur encontra forças das quais até ele mesmo desconhecia e o abate com um golpe em sua cabeça com seu martelo. 

O fato é que os cultistas estavam esperando reforços, e estes chegaram antes que os heróis pudessem descer novamente pelo túnel e voltar ao templo de Mystra. Estranhamente os guerreiros, percebendo que não iriam conseguir atingir nenhum dos reféns ou aventureiros à tempo observam a fechada do túnel. Campesino rapidamente consegue a façanha de trancar novamente a fechadura da comporta que dá acesso ao túnel, e eles seguem de volta ao templo.

A noite do conselho dos vales aparentemente acabou de começar. Muitas perguntas pairam sobre os eventos ocorridos nas últimas horas, mas o fato é que o acaso uniu aqueles que se sentiram atraídos por tomar alguma atitude, quando aparentemente tudo poderia estar perdido para aqueles reféns. O que o resto da noite ainda reserva para estes heróis, só o acaso pode prever…  

- Visão do Vale das Sombras antes do ataque. 

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