Artimanhas do acaso.

O acaso que une.
O Vale das Sombras é atacado!

Após o tempo das perturbações, o Vale das Sombras voltou a ser um reino próspero a partir do comércio de lavoura dentre outros materiais ali cultivados. Os tempos são estranhamente calmos, para aqueles que como Arthur, já acompanharam momentos de grandes tribulações não somente na região dos vales, mas como também em toda Faerun. 

Arhur, um bárbaro das terras do norte que foi privado da convivência com sua família por motivos que ele prefere não contar para ninguém, após participar das guerras no vale da Adaga e no Vale de Tesh contra os Zhentarins, encontrou refúgio de bonança no vale das Sombras praticando a velha arte da ferraria em benefício de viajantes ou dos próprios soldados da região. 

Campesino, um jovem que se afastou de casa para busca de seu próprio destino, teve que trabalhar na lavoura do Vale das Sombras para sobreviver. Seu relacionamento com os senhores da fazenda onde ele trabalha é muito bom, mas em tempos difíceis, ele precisou de ajuda dos outros trabalhadores das fazendas. Gereth era o nome de um deles. Ele trabalhava em uma fazenda próxima a dele Senhora Quelline Aderleaf, uma pequena Halfling. 

Após o período de trabalho, Campesino foi até a Taverna do Velho Crânio, a mais famosa taverna da cidade, talvez porque seja a única. Lá chegando, encontra Arthur, que o recepciona com um caloroso urro de saudação. Sentados e bebendo, notam que o assunto central de todos é a ocorrência do Conselho dos Vales que nesse ano acontecerá no Vale das Sombras, amanhã. 

Raká, recém-chegado de suas andanças, nota uma conversa estranha de dois soldados da Torre de Ashaba, residência do rei do Vale das Sombras, Mourngrym Vanseck. O assunto chama a sua atenção quando eles mencionam três prisioneiros retirados de um antigo castelo destruído, e um elfo com a pele azulada. Nunca havia ouvido falar de um elfo com uma pele dessa coloração fora das águas. 

Mantendo a estranheza do momento, em um dado momento da noite a porta se abre e Hamon, que aos olhos dos moradores do Vale das Sombras não passa de uma criatura humanoide com chifres, entra na taverna com seu grande sorriso aberto, disposto a entreter todos os presentes em troca ou de bebida gratuita, ou de peças de ouro. Muito se escondo atrás desse sorriso, mas não há maldade no seu coração, talvez diferente do que se pode falar do seu sangue. 

Junto com ele, seu amigo de viagem Roderick, um Gnomo controlador de magia arcana, que busca conhecimento com o único e exclusivo objetivo: ajudar os necessitados. Sua missão nobre é proveniente de um passado difícil, que o impulsionou ao heroísmo altruísta. Em algumas oportunidades é até difícil evitar arriscar a sua própria vida em benefício dos mais necessitados. Não por poucas vezes ele já se viu em algumas enrascadas por força dessa missão que ele instituiu a si mesmo. 

Após o passar da meia noite, todos já beneficiados pela rasa embriagues proporcionada pela cerveja, resolvem dormir. Raká sai sozinho, e procura uma arvore grande o suficiente para servir de quarto essa noite. Não que precise ser do tamanho de um quarto, mas havendo o necessário para que ele possa repousar é o suficiente. Hámon e Roderick resolvem dormir nos quartos disponíveis na taverna do Velho Crânio, não sem antes Hámon ter um breve entrevero com a taverneira. 

Arthur sai com seu colega Campesino. O ferreiro fica pelo caminho, na sua residência acima da forja, enquanto o rapaz segue caminhando até a sua casa na fazenda onde trabalha. 

Assim que chega, percebe que as luzes ainda estão acesas, o que é estranho dada a hora da noite. Aproxima-se da porta e nota que uma das filhas do dono da fazenda está na cama, com febre alta e se debatendo. Está sendo cuidada por sua mãe, quando seu pai o encontra na porta e o chama para entrar. Nesse momento, a garotinha levanta rapidamente da cama e com os olhos sangrando, grita coisas aparentemente sem nexo como: "O equilíbrio foi desfeito!", "As portas do inferno foram abertas!". 

Assustado, Campesino indaga o seu chefe sobre o que poderia estar acontecendo, mas nem ele consegue explicar, dizendo somente que ela aparentemente estaria estranha já a alguns dias. 

Passa-se a noite. O dia do conselho dos vales chega. 

A cidade está em festa e todos os aventureiros e moradores dos vales estão na rua principal aguardando o desfile das carruagens que levam os líderes dos vales convocados para o grande encontro no salão principal da Torre de Ashaba. Sem contratempos, o desfile ocorre, porém, aos olhos de Arthur, o número de soldados é grande demais para uma festividade pacífica como essa. Algo pode não estar tão pacífico assim. 

Encontrando Campesino, eles acompanham o desfile. Mais no final da rua, Raká, Roderick e Hámon também acompanham o desfile quando este acaba com as portas da fortaleza da torre sendo fechada, e os aldeões que ficaram do lado de foram começam os festejos para agradecer aos Deuses as colheitas do ano que se passou. 

Raká, sente um vento fora do normal vindo do leste, mexendo toda a relva próxima da cidade, quando logo após Roderick também percebe essa alteração. Mais próximos da entrada leste da cidade, Arthur e Campesino notam outra peculiaridade: gritos e muitas pessoas correndo da sua direção. Rapidamente, todos conseguem notar pequenos seres de coloração vermelha, como se fossem feitos de lava incandescente atingiam as pessoas correndo e as queimavam até a morte. 

No alto de suas cabeças, uma formação óssea que parecia um dragão sobrevoava o vale, como se estivesse pronto para pousar a qualquer momento. 

Instados a tomar alguma providência para salvar as pessoas que estavam presas ou que ainda conseguiam correr, todos eles entraram em combate com essas criaturas, mas não sem conhecerem o real significado do termo "queimadura" quando foram atingidos pelas criaturas. Mesmo havendo levado prejuízo no combate, permaneceram de pé, mas notaram que reforços das criaturas estavam à caminho quando outras criaturas esqueléticas de mais de dois metros e chifres estavam se movendo na direção deles. 

Resolveram tentar salvar os que ainda podiam ser salves e se abrigar. 

A perseguição não durou muito. A intenção das criaturas era aparentemente invadir o castelo, e quando os portões foram arrombados, tiveram êxito na investida. O som de morte e guerra tomou o ar enquanto os aventureiros tentavam se proteger no templo de Mystra que ficava mais à frente. 

Olhando para trás, para ver se não estavam sendo seguidos, eles notam que aquela formação óssea de fato era um dragão, e estava tentando destruir a lateral da torre do rei. 

Dentro do Templo, todos tentam descansar entre aqueles que aparentemente estavam quase mortos, e aqueles que trabalhavam para sustentar os que ainda poderiam viver. O cheiro de carne queimada era notório e impressionante. Em contado com Nighthill, conhecido de Arthur, os aventureiros tomam conhecimento que muitos dos familiares que estavam ali não haviam sido localizados e que essa busca poderia ser feita por um antigo túnel que passava por baixo da rua central da cidade, levando-os até o outro lado. 

Todos concordando com a tentativa de salvar mais vidas, os improváveis heróis dividem uma pequena quantidade de peças de ouro de Nighthill e partem para o túnel. Após passarem pelo túnel, sendo atacados por ratos gigantes, eles percebem uma abertura. Campesino consegue abri-la sem fazer barulho e por sorte, ou talvez por intervenção do destino, eles avistam um pequeno grupo de reféns sendo escoltados por alguns humanos do Clã do Dragão. 

Conjecturando rapidamente um plano arriscado, Campesino consegue sair sem ser visto, mas seu primeiro atauqe chama a atenção do guerreiro líder do clã do dragão que está supervisionando os reféns, e ele rapidamente ameaça um destes que está sentado à sua frente. Arthur não tem opção, senão chamar a atenção dele para que ele não mate o refém.  E mesmo contra todas as expectativas, ele consegue, e rapidamente engaja em combate corporal com ele, enquanto os outros, agora na tentativa de receber a alcunha de heróis, tentam eliminar os cultistas e salvar os reféns. 

O combate corporal de Arthur com o Guerreiro do culto do dragão é ferrenho e mortal, quando após ter a sua barriga perfurada, Arthur encontra forças das quais até ele mesmo desconhecia e o abate com um golpe em sua cabeça com seu martelo. 

O fato é que os cultistas estavam esperando reforços, e estes chegaram antes que os heróis pudessem descer novamente pelo túnel e voltar ao templo de Mystra. Estranhamente os guerreiros, percebendo que não iriam conseguir atingir nenhum dos reféns ou aventureiros à tempo observam a fechada do túnel. Campesino rapidamente consegue a façanha de trancar novamente a fechadura da comporta que dá acesso ao túnel, e eles seguem de volta ao templo.

A noite do conselho dos vales aparentemente acabou de começar. Muitas perguntas pairam sobre os eventos ocorridos nas últimas horas, mas o fato é que o acaso uniu aqueles que se sentiram atraídos por tomar alguma atitude, quando aparentemente tudo poderia estar perdido para aqueles reféns. O que o resto da noite ainda reserva para estes heróis, só o acaso pode prever…  

- Visão do Vale das Sombras antes do ataque. 

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